quarta-feira, 26 de julho de 2017

Souvenir

Jorge Finatto
 
Autorretrato na exposição O último quarto de Van Gogh. photos: jfinatto
 
NÃO DEIXA de ser irônico que museus, governos, colecionadores, comerciantes e indústria cultural ganhem milhões e milhões de dinheiros todos os anos à custa de obra de Van Gogh. Enquanto isso, ele em vida padeceu na mais profunda pobreza. Rigorosamente nada usufruiu de seu trabalho, exceto os momentos de felicidade quando criava.
 
Hoje a venda de qualquer de seus quadros é capaz de garantir o sustento de uma pessoa e seus descendentes, em excelentes condições, para o resto da vida. Esse mundo não vale mesmo um cisco.
 
Duvido muito que Van Gogh conseguisse entrar, com suas roupas velhas, seu chapéu de palha e seus olhos de passarinho curioso, em alguns dos museus chiques que  expõem seus quadros. De início, ele não teria dinheiro para o ingresso. A aparência e o dinheiro continuam governando tudo. Não obstante, a malta se diverte nos museus e lojinhas de souvenirs.
 
Os que amam a arte e os seres humanos (apesar de tudo) merecem a obra de Van Gogh. Só eles são capazes de entendê-lo e acolhê-lo desinteressadamente no coração.