quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entre o Guaíba e o Mondego

Jorge Adelar Finatto



A cidade vista a partir do rio não é a mesma que observamos no continente. Ao navegar ao largo, vemos coisas que não percebemos em terra. Os barcos nos ajudam a entender melhor essas ilhas de solidão e exílio que são as cidades onde vivemos.

É como se saíssemos do nosso corpo e nos enxergássemos, por um instante, à distância.

Então essas são as orelhas? Esse é o jeito de sentar à mesa para ler o jornal enquanto espera alguém? Essa é a maneira de fazer de conta? E são esses os olhos que pouco revelam do que vai na alma? Visto de fora, um ser diferente talvez do que somos. Mas estamos ali.

A cidade está povoada de gente que nunca ousou embarcar e partir. Barcos e homens são sonhos que se sonham.

Coimbra tem seu rio, seus barcos, seus pescadores, seus estudantes. É uma cidade antiquíssima e adolescente, ao mesmo tempo. Gosto de me perder em suas vielas, ladeiras e largos medievais, onde vivem seus poetas, escritores e fadistas.

Em torno da Universidade de Coimbra - a mais antiga de Portugal e uma das primeiras da Europa - o velho e o novo convivem, se estranham, se transformam.


O Mondego me dá saudade do Guaíba.

Quando estou nas margens do Guaíba, penso no Mondego.

Recordo o sublime e trágico amor de Inês de Castro (1320 - 1355) e do infante Pedro, que mais tarde viria a ser D. Pedro I, Rei de Portugal.  Ela foi assassinada a punhaladas a mando do Rei D. Afonso IV, pai de Pedro, que não aceitou, por razões políticas, a união do filho com sua amada. As lágrimas derramadas por Inês na ocasião de sua morte teriam formado a Fonte das Lágrimas, na Quinta das Lágrimas, perto do Mondego. Naquele lugar suave e triste, ouvimos o pranto de Inês através dos séculos.

Em vão procuro entender por que a tarefa do amor é, muitas vezes, a impossível tarefa.

Escrevi um texto, em 03 de março passado, sobre o Basófias, o barco que leva passageiros a ver Coimbra de dentro das águas do Mondego. Recebo agora um email de Renato Ladeiro, diretor comercial da empresa que o administra. Ele tem a gentileza de encaminhar uma fotografia , e informa sobre as atividades da embarcação em prol da cidade. O conforto que o barco oferece, as iguarias, os roteiros, o tratamento dispensado aos visitantes fazem a gente sonhar com a próxima viagem no lendário Basófias.

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Fotos: 1) Símbolo do Basófias, imagem da empresa; 2) o  Basófias; 3) o Rio Mondego, J. Finatto.

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